21 de janeiro de 2019

Foda-se

Eu preciso escrever sobre uma coisa que está me incomodando um pouco desde da minha viagem à Salvador. É algo vergonhoso pra mim, mas eu preciso escrever sobre isso para desabafar, afinal, eu gosto de trabalhar com a verdade e eu sinto que estou superando tantas coisas do meu passado esses últimos tempos que eu preciso me libertar dessas coisas antigas de uma vez por todas. Eu não aceito mais nada disso aparecendo na minha mente nunca mais, e talvez escrever sobre ajude, pois sempre ajudou.
Um garoto que namorei a uns anos atrás disse pra mim algumas vezes (de forma a me ofender) que eu sempre vivi na barra da saia da minha mãe, que nunca vi o mundo, que sempre vivi de casa pra escola, ou no mundo das séries e fantasias. Eu fiquei muito brava quando ele disse isso, e obviamente, ofendida. Até o ofendi também, coisa que eu não costumo fazer muito, mas as coisas mudam né? O fato é que, eu não admiti pra mim mesma o quanto aquilo tinha me afetado porque eu não queria que ele tivesse esse poder de me afetar tanto assim, mas a verdade é que afetou, pelo menos por um tempo. Agora já não penso mais nisso, mas tive um ocorrido em Salvador algumas vezes que vou lhes contar. 
No meio de um show que teve na Boca do Rio e eu meio alterada, e também acabada de cansaço porque o dia tinha sido cheio, comecei a pensar no quanto eu tava vivendo e feliz, coisa que eu nunca tinha feito. Veio o que ele tinha me dito na hora, e minha vontade era gritar "TA VENDO AI PORRA, EU TO VIVENDO AAA", mas ele não tava ali pra escutar, e segundos depois eu caí na real que não importava ele saber ou não, eu tinha acabado de admitir que ele esteve certo o tempo todo, eu sempre vivi no meu quarto, nunca tinha ido a um show, foi a primeira vez, nunca tinha feito nada do que eu fiz naqueles dias, pelo menos não daquela forma. E aceitar que tava tudo bem eu ter vivido uma parte da minha vida assim foi o difícil, eu sei que não posso controlar tudo e nem podia quando era mais nova quando minhas preocupações eram outras. E daí que eu não vivi muito na adolescência? Eu não tive culpa, não é como se eu tivesse ficado no meu quarto porque eu queria, eu passei por momentos fudidos para um caralho, e ele sabia disso, porque eu contei toda a minha história pra ele, e ele se aproveitou disso para me ofender anos depois em uma briga sobre políticos. Que filha da puta. 
Eu demorei pra entender que tá tudo bem eu só estar vivendo mais agora, porque hoje eu posso, e tô vivendo e ta sendo incrível. Se ele sempre pôde aproveitar a vida, sempre teve liberdade, ótimo pra ele, mas eu nunca tive, ainda não tenho totalmente e usar isso para tentar fazer uma pessoa se sentir mal é ser muito sacana.
O ponto é, existe uma parte de mim que quer provar não só pra ele, mas pra todos que sempre me viram como a inocente, encurralada, a que não sabe muito da vida porque não viveu muito que eu tô vivendo agora, mas eu sei o quanto isso é errado, acredite. Não importa como minha vida está para eles, o que importa é o que eu tô vivendo mesmo, e eu tenho é que apenas aproveitar isso e não ficar tentando provar nada pra ninguém. 
Também posso trazer a questão de que o que é viver? Eu posso não ter ido a muitas festas, nem ter ficado super bêbada, ou ter beijado mais de 3 numa noite, mas eu já tive muitos momentos legais com meus amigos em ensaios bobos para festivais da época de colégio, já até tive momentos de pequenas "aventuras" com o próprio que me ofendeu. Eu posso não ter vivido como alguém definiu que é viver o suficiente como um adolescente faria, mas eu vivi normalmente, e fiz várias coisas que pra ele podem não ter sido legais, mas que pra mim foram incríveis e talvez tenha valido mais a pena do que ter ido a inúmeras festas sem sentido ou ter beijado bocas que nem conhecia. 
Sabe qual conclusão cheguei após escrever tudo isso? O importante é que hoje, eu tô feliz. E é isso. Foda-se tudo.

eu e minhas manias de largar coisas no rascunho

Achei no rascunho um trecho de algo que eu ia escrever pra que no meu aniversário de 20 anos eu pudesse ler, mas comecei a escrever isso em setembro de 2018, já nem faz mais sentido continuar, só acrescentei a frase final para não ficar sem conclusão. É isto.

Olá, Andressa, minha versão de 20 anos, tudo bem aí? Aqui tá tudo bem, considero que estou vivendo um dos melhores momentos da minha vida. E sim, realmente de toda a minha vida. Faz 2 semanas que as aulas começaram na universidade e eu tenho passado muito tempo fora de casa e chegado em casa todos os dias à noite e tão cansada que só quero dormir. Estou iniciando uma experiência bastante rica com o início do PIBID, que é um programa onde basicamente você tem a chance de ir para sala de aula no papel de professor sem estar sozinho, tem o auxílio do professor já efetivo do colégio em que você participa, é bem interessante.

Com relação a tudo e principalmente a cada hora que passei nas aulas, valeu a pena demais, senti meus olhos brilharem, me senti no meu mundo, as conversas e toda a compreensão da turma e dos professores em relação a literatura e a vida é tão parecida com a minha visão de mundo que faz eu me sentir como se estivesse no meu lar. Só tenho a agradecer a Deus. Mas, dizendo assim, pareço que tá tudo lindo e bem resolvido na minha mente né? Não tá.
Eu tenho me questionado inúmeras vezes se esse é o curso certo para mim, não pela questão das disciplinas mas da provável ideia de me tornar professora um dia, pois não sei se vou gostar. Eu sempre volto para casa quase correndo quando desço do ônibus no meu bairro porque o caminho pode não ser muito longo, mas quando desço está sempre vazio e tenho medo. Enfim, basicamente, a vida tem lado bons e ruins e é isto.

20 de janeiro de 2019

Para você, C.

Meus olhos brilham ao ver teu rosto, meu corpo esquenta ao encostar no teu, te respirar dá um alívio na alma, toda vez que te vejo sinto que todas as minhas energias ruins vão embora, é como beber água depois de andar muito no sol. Tua voz acalma meu coração, me faz flutuar por outras dimensões e faz com que eu sinta que está tudo perfeito no mundo e na vida e que nada mais importa além de eu e você e aquele momento em que estamos juntas. Mudando totalmente o contexto que eu usava para a palavra "incrível" antes, e o tornando mais parecido com você, que é tão maravilhosa e que tem uma essência genuinamente boa, você sim, é incrível com todas as letras e com todo o sentido bom que essa palavra possa possuir para representar uma pessoa.
Tu tem uma alma tão boa que conversar contigo sobre literalmente qualquer coisa traz uma das melhores sensações que já senti em toda minha vida. Eu já sou feliz, mas encontrar você só trouxe mais felicidade ainda para minha vida, é como se cada parte de quem eu sou gostasse de cada parte de quem você é. Quando eu paro para analisar tudo que vivi até hoje, por alguns segundos acredito que talvez as coisas aconteçam no momento certo, porque eu precisava viver tudo que já me aconteceu para me tornar a pessoa que sou hoje e que se dá tão bem contigo. Talvez isso até explique porque moramos tão perto e temos tantos amigos em comum e nem eu, nem você sabia da existência da outra.
Se me pedirem algum dia para falar de tu, vai ser bem difícil resumir tanta coisa incrível que tem em ti em poucas palavras, porque só te conhecendo para saber, sentir e viver. Mas, tentando te resumir, eu diria que tu é pura luz, porque até os teus defeitos (que não sei se considero bem como defeitos) são bem normais, tu sabe respeitar o espaço do outro, sabe ser gentil, doce, sensível, humana, carinhosa e tarada ao mesmo tempo rs, atenciosa, educada, e também a pessoa mais sensata que eu já conheci (viu que não da pra resumir muito?).
Adoro teu olhar quando olha nos meus olhos, adoro o jeito que tu toca minhas mãos, meu corpo e adoro tocar você de todas as formas que forem possíveis, tanto físicas quanto mentais (não sei se essa palavra define bem, mas dá pra entender). Tu é a garota mais linda que já conheci, obrigada por permitir que eu entre na sua vida e por todos os momentos bons. Desejo que isso que a gente está construindo dure muito ainda. Te adoro demais, linda, obrigada por ser você, por toda sua amizade e tudo isso que tô vivendo contigo que ainda não tem nome, mas que é tão bom que eu só sei sentir.